6 filmes que vão te ajudar a aprender sobre fotografia

Lembra que eu já falei que uma das coisas mais importantes para melhorar a composição de suas fotos é observar e estudar? Então, por isso, decidi reunir aqui alguns filmes que vão te ajudar a aprender sobre fotografia.

Filmes são grandes inspirações em diversos aspectos, seja pela estória, personagens ou pelas imagens incríveis. Entretanto, há filmes que se destacam pela sua fotografia e há aqueles que você deve assistir caso queira aprender sobre fotografia.

Nesta lista, vou falar um pouco sobre cada um deles e o que se destaca em cada um. Está pronto? Então vem ver!



Os Excêntricos Tenenbaums

Wes Anderson nos presenteia com uma fotografia linda no filme chamado “Os Excentricos Tenenbaums”.

Wes usa esquemas de cores, simetria, espaço negativo, entre outras técnicas de composição para criar uma fotografia agradável aos olhos e que nos conte algo – mesmo que deixe subentendido.

Mas, mais do que isto, o diretor vai além do enredo e das atuações contando a estória através de composição, cores e da forma como os personagens são “colocados” em cada cena.

Desta forma, compondo imagens de forma calculada e usando cores para auxiliar a “definir o humor” de cada quadro, ele mexe com nosso subconsciente e nos conta uma história também nas “entrelinhas”.

Vamos analisar a imagem a seguir, por exemplo. Nela as cores quentes nos dão uma sensação de agressividade, impaciência e estímulo. Os filhos são mostrados de uma forma que pareçam muito menores que o pai – num sofá grande –, dando ao pai um aspecto de grandeza e importância – sentado sobre um pequeno banco. Um dos filhos é colocado à distância dos outros dois, mostrando, de certa forma, um afastamento dos outros dois.

Além de “contar uma história” através da composição, Wes a usa para criar uma fotografia agradável. Abaixo podemos ver um quadro do filme – da mesma cena acima onde também podemos observar as mesmas características – onde a harmonia das cores se destaca.

Esta harmonia é atingida usando apenas tons quentes de vermelho e amarelo – tanto nas roupas e acessórios dos personagens, quanto no ambiente – combinados à alguns detalhes de azul – no vitral e na faixa de cabeça – para adicionar um pouco de contraste, já que é uma cor fria.

Já nas imagens abaixo, é possível encontrar simetria – óbvia na primeira, mas nem tão clara na segunda. Na primeira imagem há simetria, uma imagem praticamente espelhada. Já na segunda, é possível encontrar simetria pelo assunto do quadro – o disco – estar no meio e ter, de cada lado, uma imagem (um disco e uma foto da família) de igual tamanho.

Estes são apenas alguns ótimos exemplos de como a fotografia de um filme como este pode ser enriquecedora!

Neste link você pode encontrar uma análise ótima da fotografia deste filme (em inglês) e diversas cenas dele.

 

O Grande Hotel Budapeste

Assim como no filme mencionado acima, em Grande Hotel Budapeste, Wes usa inúmeros elementos de composição para contar a estória do filme.

Além dos esquemas de cores, simetria e regras básicas de composição muito característicos do diretor, podemos observar também o uso de espaço negativo e a forma como cada personagem é colocado de modo que demonstre ao espectador o sentimento que Wes busca mostrar.

Na imagem abaixo podemos ver um exemplo óbvio de simetria, enquanto no seguinte, a simetria é equilibrada por elementos parecidos ou de mesmo tamanho e cores, para criar um senso de simetria – mesmo que a imagem não pareça obviamente simétrica.

Já nas imagens abaixo percebemos o uso do espaço negativo, onde há uma grande área em torno do “assunto” do quadro, para dar destaque à este. Nelas, por exemplo, o espaço negativo – composto por caixas na primeira e pelo cenário repleto de objetos simples – é usado para trazer a atenção aos personagens, que são o foco da cena.

 

A Vida Secreta de Walter Mitty

Este filme é inspirador não somente pela fotografia, mas também pela estória. Entretanto, diferente dos filmes de Wes Anderson, ele não fica tão preso à conceitos de simetria ou cores, por exemplo.

O filme traz imagens lindas e perspectivas inteligentes. Adoro os quadros de paisagens que são tão bonitos, mas também os da cidade – gosto muito de uma das cenas iniciais, filmada de cima.

Entretanto, um dos aprendizados mais legais, na minha opinião, está na história de Walter Mitty com o fotógrafo (Sean OConnell) e no que podemos aprender com os dois personagens.

É um daqueles filmes que você precisa assistir e que vai aprender pelo menos uma lição. Uma das frases que mais gosto do filme é quando o fotógrafo de vida selvagem é perguntado a respeito do motivo pelo qual ele não tirou uma foto e responde:

“Às vezes eu não fotografo. Se eu gosto de um momento, de forma pessoal, eu não gosto de ter a distração da câmera. Eu só quero estar presente naquele momento.”

Ah, e neste link há uma análise bem legal de alguns quadros do filme onde é possível identificar a regra dos terços e outros “truques” usados para deixar a fotografia do filme ainda mais bonita!

 

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain é um filme francês. Ele é relativamente antigo, mas ainda muito popular nos dias de hoje.

O filme conta a estória de uma garota que, basicamente, vive tentando ajudar os outros a serem felizes. Até que, em algum momento, ela decidi buscar a própria felicidade.

Falando assim, a narrativa não parece nada especial. Pois bem, este é um daqueles filmes para relaxar. Você não vai encontrar tanto drama ou tensão como nos filmes de Hollywood, o que eu acho muito refrescante.

Referente ao lado fotográfico, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain é marcado pelas cores e a forma como elas são utilizadas. O filme, em sua grande maioria, usa tons quentes e abusa do contraste entre vermelho e verde – que são cores opostas quando falamos em harmonia complementar. Assim como nos filmes de Wes Anderson, as cores são parte fundamental para construir o filme.

Além disso, a escolha de lentes também é algo muito característico em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. O uso frequente de lentes grande angulares próximas ao rosto dos atores cria distorções que funcionam bem. Por exemplo, os closes em Amelie com uma lente grande angular fazem seu rosto delicado parecer maior e tornam seus olhos maiores do que são de fato.

Outro aspecto interessante é que o uso de lentes grande angulares permite que mais coisas sejam vistas e estejam em foco – porque há uma grande profundidade de campo.

 

Pulp Fiction – e outros filmes que Quentin Tarantino

Se você tiver estômago para limpar todo o sangue que vai escorrer de sua televisão depois que o filme terminar, recomendo que assista todas as obras de Quentin Tarantino.

Ele é muito conhecido pelos seus filmes sanguinários, mas também pela sua consistência e o uso de ângulos característicos de seus filmes. Os closes nos pés de mulheres caminhando – lembra da cena do assovio de Kill Bill?! – e o ângulo baixo – que é usado frequentemente para mostrar certo ar de superioridade do personagem – são apenas alguns deles.

É interessante observar também a composição das cenas, onde muitas vezes ele enquadra os personagens – geralmente dois – frente a frente em uma conversa, além de usar constantemente técnicas de simetria e espaço negativo.

 

A Fotografia Oculta de Vivian Maier

Gosto deste filme não pela fotografia, em si, mas pela história por trás dele. A Fotografia Oculta de Vivian Maier traz a história de uma “fotógrafa anônima”. Como assim?!

 

Pois bem, eu explico. Vivian Maier foi, durante a maior parte de sua vida, uma babá. Ela possuía uma câmera Rolleiflex, com a qual saía pelas ruas fotografando pessoas e cenas do cotidiano.

Entretanto, ela nunca se expôs como fotografa. Foi apenas depois de morta que seus 100 mil negativos foram encontrados por John Maloof, que começou a revela-los, escanea-los e compartilhá-los, tornando-a famosa.

A história por si só é incrível. O documentário nos conta um pouco mais sobre quem era Vivian e sobre sua história com a fotografia, além de nos mostrar belíssimas imagens.

Como o visor da Rolleiflex fica em cima da câmera, ela pendurava sua Rolleiflex no pescoço e fotografava com ela na altura do peito, o que conferiu às suas fotografias um ar distinto. Além disso, como a maioria de suas fotos foi tirada sem que o sujeito foco da imagem se desse conta, ela criava imagens ainda mais especiais.

É um daqueles filmes que te inspira a sair para fotografar!

 


E aí, gostou deste post? Escreve aqui nos comentários se gostou e compartilha com a gente se tem mais alguma dica!

Ah, e se quiser salvar este post para ler de novo e ver as fotos depois é só salvar a imagem abaixo no seu Pinterest! Aproveita e me segue por lá para ficar por dentro das minhas dicas e inspirações! <3