Ansiedade: como me livrei dela através de 5 hábitos simples

Como várias pessoas por aí, há anos venho sofrendo com a ansiedade. Aquele sentimento em querer prever tudo que vai acontecer e estar preparada para tudo, sabe? Estar ligada a todo momento, esperando o que o futuro me reserva — Não só o futuro “futuro”, sabe?! O amanhã mesmo, tipo: o que vai acontecer se eu disser isso pro fulano e o fulano me responder aquilo? O que eu vou dizer?! MEU DEUS, O QUE EU VOU FALAR?) — e ficando nervosa por conta de coisas que nem ao menos aconteceram. Você já passou por isso?

No ano passado, quando estava em crise devido ao meu estresse no trabalho, procurei ajuda psicológica. Foi um momento muito importante para mim, de autodescoberta, de conscientização, aceitação, e de correção de comportamentos que não me faziam bem. Não, eu não estava louca. Longe disso. Assim como se tivesse um braço quebrado eu procuraria um médico, procurei ajuda por sentir que todo esse estresse não estava me fazendo bem algum.

Logo nos primeiros encontros percebemos que um dos comportamentos que mais me prejudicava era fantasiar sobre o que aconteceria se algo desse errado — mesmo eu sabendo que havia 99% de chance de não dar. Eu sentia uma necessidade tão grande de estar preparada para os mais variados tipos de adversidades que aquilo me consumia e eu acabava ficando tão nervosa e triste, como se as coisas que eu imaginava realmente já tivessem acontecido. Eu vivia muito no futuro hipotético — ah, aqueles “e se…” —, um pouco no passado e, raramente — ou nunca —, no presente.

Eu já sabia disso, mas não de forma tão explícita. Eu sabia, mas não tinha consciência disso. Por isso, quando chegamos a essa conclusão em uma das sessões aquilo foi como uma revelação apocalíptica. Como eu havia vivido todos esses anos dessa forma sem me questionar? Depois da conscientização veio a ação. É difícil saber como agir, como matar estes pensamentos, e por isso a ajuda de alguém especializado foi tão importante.

Desde então tenho realizado um trabalho constante para levar minha vida de forma mais leve. Mas não se engane imaginando que tudo desaparecerá de uma hora para outra. É um processo difícil e complicado. Nossa mente pode ser tão inteligente e tão estúpida ao mesmo tempo. Uma vez que ela aprende certo comportamento, está tão acostumada a seguir com aquele habito — mesmo que seja um hábito insano e degradante — que acabamos entrando no piloto automático. É exatamente como começar a dirigir. No início, tudo parece complicado. São muitos comandos para uma pessoa só. Depois de um tempo conseguimos conversar com alguém e dirigir ao mesmo tempo sem entrar em pânico, visto que nosso cérebro já sabe o que deve ser feito. Tão inconsciente quanto respirar: é dessa forma que a ansiedade ataca.

A diferença, agora, é que eu tenho consciência de todos esses pensamentos, meus instintos estão aguçados e eu consigo ver cada nano partícula, cada célula do meu organismo, todos aqueles pensamentos se formando, a sinapse entre os meus neurônios. Eu me torno consciente do que era tão absurdamente inconsciente e habitual, eu sou dona da situação mais uma vez, e isso me permite escolher se vou querer sofrer e me lamentar pensando no futuro ou no passado ou se vou descansar minha cabeça e viver no presente. Eu tenho a escolha, afinal.

Não, eu não sou psicóloga, mas acredito que minha experiência como paciente pode ajudar alguém que sofre de ansiedade, assim como eu, de alguma forma. Aprendi tanta coisa sobre mim nesse tempo, melhorei tanto, que seria egoísmo não compartilhar. Por isso, reuni aqui algumas ações que me ajudaram a superar grande parte da minha ansiedade. Espero que elas possam ajudar alguém também.

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.” – Carlos Drummond de Andrade 

Esteja consciente sobre sua ansiedade e seus comportamentos

Estar consciente sobre os meus comportamentos foi parte importantíssima no meu processo de “melhora”. É engraçado como, muitas vezes, nós temos um pensamento, uma visão distorcida da realidade, que só nos traz infelicidade. Quando estamos conscientes de nossos pensamentos distorcidos, fica muito mais fácil enxergar a realidade — que muitas vezes não é tão aterrorizante quanto nossa imaginação nos faz pensar.

Estar consciente sobre como a ansiedade agia e me prejudicava fez com que minha vida melhorasse muito neste aspeto. Às vezes, para desenvolver essa autoconsciência, é preciso de ajuda. Eu precisei dessa ajuda porque por muito tempo não conseguia ver como meus pensamentos eram distorcidos e como eu tendia a sempre enxergar o copo meio vazio — mesmo antes até de o copo existir.

Reflita sobre como você se comporta e como gostaria de se comportar

Depois de tomar consciência dos meus pensamentos, assim que eu percebia que estava indo longe demais e me estressando, ficando nervosa, infeliz, com coisas que nem mesmo haviam acontecido e sequer poderiam acontecer, eu parava e refletia sobre o quanto aquilo me prejudicava.

Eu refletia sobre como eu gostaria de me sentir perante aquilo, pensava no quanto eu estava me enganando e que deveria deixar aquele pensamento de lado — e deixar para me preocupar com aquilo quando acontecesse, caso acontecesse. Isto me ajudou muito, mas, o que mais me ajudou não foi ter feito isso apenas uma vez: foi a prática.

Pratique, pratique e pratique

Faça de sua melhora um hábito. Já ouviram que a prática faz a perfeição, né?! Já ouviram falar também que o hábito é algo poderoso, certo?! Eu li, certa vez, que muito do que fazemos e pensamos é um hábito. Aprendi na vida real, também, que quanto mais fazemos algo, melhores nos tornamos naquilo (com exceção da matemática que, no meu caso, piora cada vez que tento fazer uma conta “de cabeça”).

Pensar demais no que ainda está por vir é um hábito que criei desde adolescente para me prevenir de ser machucada. Eu lembro que costumava sempre pensar nas coisas pelo lado bom: como a viagem que faria seria legal, como aquela festa seria maravilhosa, como aquelas pessoas seriam legais comigo. E é obvio que nem tudo acontecia como imaginava e eu acabava me decepcionando. Então, criei o hábito de pensar sempre no pior para que não houvessem decepções — e sim boas surpresas, caso algo bom acontecesse.

Além disso, como sempre fui muito tímida, tinha uma dificuldade enorme de conversar com as pessoas, de realmente fazer a conversa evoluir, então, antes de encontrar alguém eu sempre ensaiava conversas e pensava em assuntos que poderia abordar para não ser pega desprevenida (Quão bosta isso era pra mim? Muito!!!).

Esses dois hábitos doidos contribuíram para um pensamento distorcido de toda a realidade ao meu redor e também do futuro. Quando comecei a corrigir esse comportamento foi difícil, mas com a prática, tornou-se mais fácil. A cada “prática” eu parecia melhor e melhor. E foi ficando tão melhor que aquilo tornou-se natural para mim. Não se preocupar tanto virou parte de mim: eu criei esse hábito. Agora eu vivo — quase sempre — no momento.

Você tem o poder

Você terá que tomar consciência de tudo isso e abraçar essa mudança na sua vida como algo extremamente bom. Seus pais, cônjuge ou amigos dizendo para você parar de se preocupar tanto não vão fazer você, instantaneamente, parar de se preocupar tanto.

Ninguém poderá fazer essa mudança para você. As pessoas podem te ajudar a perceber que há algo errado e te guiar através dessa mudança, mas você precisará ter força de vontade o suficiente para fazer essa mudança na sua vida. Você terá que desenvolver sua autoconsciência ao ponto de enxergar que esse comportamento está te fazendo mal e que se sentir vítima do bullying que sofreu, dos maus bocados que o mundo te fez passar, de forma alguma está te ajudando. Vai ter que aceitar a responsabilidade de que a mudança só depende de você. O poder está com você, portanto, faça.

Contemple a mudança

Pra mim, a parte mais feliz de todo esse processo foi perceber a mudança em pequenos momentos da minha vida, mas, a revelação realmente aconteceu quando eu e meu marido fizemos um passeio de barco em nossa última viagem.

O passeio demorou mais do que o planejado e percebemos que isso afetaria nosso check out no hotel. A situação foi motivo de cara amarrada do meu marido, mas eu, incrivelmente, não me estressei e nem fiquei martelando em minha cabeça o que faríamos.

Eu o olhei e disse “Não podemos fazer nada, chegaremos atrasados. Podemos pedir pra fazer late check out, mas enquanto isso, não podemos fazer nada. Quando chegarmos lá, tentamos resolver isso”.

Esqueci aquilo e simplesmente aproveitei o passeio. Fiquei orgulhosa de mim mesma! O melhor foi que, no final das contas, não tivemos nenhum tipo de cobrança adicional e a recepcionista foi super querida — ainda nos deixou tomar banho e terminar de arrumar as coisas. Zero expectativas e boas surpresas são melhores que más expectativas e boas surpresas, não é mesmo?!

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E aí, vamos mudar também?

Vamos tornar nossas vidas e das pessoas que convivem conosco melhores?

Você tem algum problema parecido? Me conta aqui pra trocarmos uma ideia!