Terapia: ninguém precisa, todo mundo merece

Eu sempre fui muito questionadora – é algo mais forte do que eu. 

Questionei tanto a falta de flexibilidade das empresas que decidi trabalhar de casa, nos horários que quisesse e quanto quisesse.

Questionei tanto o modelo de vida atual que decidi que queria viver com menos e não viver em um lugar fixo.


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Questionei tanto que em algum momento me perdi em meio à tantos questionamentos. Me aprofundei tanto em cada um deles que não conseguia enxergar nada com clareza.

Eu me sentia como se estivesse caminhando um pouco perdida, sem rumo. E então, em algum momento, encontrasse um rio bloqueando minha passagem. Um rio profundo, de correnteza forte, largo demais para atravessar. Não havia ponte. 

Eu sabia que deveria atravessá-lo, mas não sabia como. Eu precisava de alguém para me ajudar a transpô-lo. Eu não sabia como construir uma ponte. Eu precisava de alguém para me ensinar a construí-la.

Quando reconheci isso, algo mudou dentro de mim. Eu percebi que precisava de uma mão. Eu precisava de alguém que me ensinasse a ver as coisas de outra forma. E eu percebi, acima de tudo, que reconhecer que precisava de alguém era um ato de coragem.



Algumas pessoas enxergam que recorrer à terapia é um ato de fraqueza. Alguns podem dizer que você é fraco se não consegue resolver seus próprios problemas. Ou que você não tem inteligência emocional. Ou talvez sintam pena – quando na verdade deveriam se alegrar porque você está prestes a mudar sua vida.

Mas, o que precisamos ter em mente, de verdade, é que varrer seus problemas para baixo do tapete e fingir que eles não estão lá não é coragem, é estupidez.

Durante anos somos ensinados a engolir o choro e esquecer. Desde crianças nos dizem: “dorme que passa”, “esquece isso”, “deixa pra lá”. Durante anos nos ensinam que os problemas pessoais não devem ser encarados e reconhecidos e sim deixados de lado como se assim, eles magicamente se resolvessem sozinhos.

Quase ninguém nos ensina a encarar nossos problemas. E quando pensamos em encarar problemas muitas vezes não conseguimos assimilar como lidar com eles e mensurar a real extensão de cada um. Afinal, a única forma que conhecemos de lidar com problemas é fingir que eles não existem.

E penso que talvez seja por isso que muita gente resiste à terapia – além da falta de conhecimento a respeito dela – por não entender o que realmente significa encarar os problemas. Não, você não está indo para uma consulta com um psicólogo para choramingar. Você está indo para encarar seus problemas e resolvê-los. Ou simplesmente para melhorar algum aspecto em você que lhe incomoda. Você está indo para evoluir!


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Eu sei, é muito mais fácil ignorar seus questionamentos do que encará-los. É muito mais difícil do que fingir que eles não estão lá. É muito mais fácil se acomodar e dizer: “sou desorganizado mesmo, é meu jeito”. O difícil é treinar sua mente e criar hábitos para mudar algo que parece tão enraizado, mas que sente que te prejudica.

Por isso digo que vejo a terapia como um ato de coragem. Isto porque eu sinto que é lá que você está cara a cara com seu eu mais real. Com tudo aquilo que fica quando todas as máscaras caem. Você consegue entrar em contato com tudo que você ama, mas com tudo aquilo que também não gosta em si.

Não é fácil quando a gente coloca para fora tudo, sem censura. Tudo parece mais real. Há coisas que sinto vergonha de falar. Há coisas que sinto medo. É como se eu fosse quebrar um feitiço. E é o que, de fato, acontece. Porque são os feitiços e julgamentos internos que, muitas vezes, nos impedem de evoluir.

Quando exponho tudo, nu e cru, e analiso cada aspecto individualmente eu quebro aquele estigma de que não consigo resolver um problema ou melhorar algo que quero em minha personalidade, trabalho ou relacionamento. Eu começo a enxergar tudo mais claramente. 

Mas, acima de tudo, na terapia você aprende a olhar para dentro antes de seguir os caminhos que levam para fora. 


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Quando fui à psicóloga porque minha ansiedade tinha atingido um nível ruim demais para suportar nada aconteceu magicamente. Nenhuma mudança aconteceu da noite para o dia.

E bom, na terapia eu nunca recebi o peixe. Ela sempre me ensinou a pescar, o que foi ótimo. 

Em momento algum eu recebia respostas sobre meus questionamentos e inseguranças. Porque as respostas não estavam nas palavras dela, mas dentro de mim.

Por isso, eu falava e ela me devolvia perguntas. Perguntas que me faziam pensar no real motivo de tudo aquilo. Perguntas que me mostravam coisas que eu me recusava a enxergar. 

Mas, mais do que isso, recebia perguntas que mexiam comigo e que me faziam querer mudar, evoluir e ser um ser humano mais completo e feliz. E, por fim, depois de ser conduzida a encontrar a raiz dos problemas, eu começava a entender como chegar à solução.

Por isso a terapia foi uma espécie de virada em minha vida. Eu comecei a buscar alternativas para me desenvolver, tanto pessoal quanto profissionalmente. Eu percebi que poderia ser a responsável tanto pelo meu fracasso quanto pelo meu sucesso. 

Entendi que se eu queria ter sucesso em qualquer coisa que desejasse, eu apenas precisaria condicionar minha mente e batalhar para que tudo acontecesse – além de entender que nada que ainda não aconteceu está sob meu controle. 

E nesse processo eu venho aprendendo, dia a dia, a aceitar minhas qualidades e meus defeitos, sempre em busca de evolução e o conhecimento. Colocando acima de tudo o cuidado comigo mesma.

E por isso digo que a terapia é um ato de amor. Não apenas um ato de amor próprio, mas um ato de amor para com o mundo ao seu redor. Você aprende a cuidar de si e a ser sua própria prioridade, e isso não é bom só para você, mas para os outros também. 

Isso porque quando a gente está feliz consegue transmitir isso, consegue ter relacionamentos saudáveis, consegue sentir-se completo e, assim, ajudar a completar o outro e fazer do mundo um lugar melhor.