3 dias de inverno na serra catarinense

Era 15 de julho, eu tinha acabado de acordar no meio de uma manhã quente de sábado, atípica para o inverno do Sul. Entrei no WhatsApp e ouvi um áudio de um meteorologista da região dizendo que o frio viria com tudo e que nevaria (muito) na serra catarinense. #mentiroso

Eu, que nunca vi neve, fiquei em êxtase! Precisava ir. E finalmente nós tínhamos a liberdade de, num dia de semana, sair para qualquer lugar e trabalhar de qualquer lugar. Falei logo com o Matheus e reservamos um dos poucos hotéis disponíveis no Booking (a pressa foi tanta que nem vi as avaliações, ainda bem, porque no final da tarde já não havia mais nenhum hotel disponível na região).

Saímos de Tubarão por volta das 5h30 da manhã, tomamos café no caminho (colocamos anticongelante no motor num posto lá da serra) e seguimos até São Joaquim, que é, geralmente, a cidade onde neva. Lá existem alguns cafés, restaurantes e lojas (tudo muito modesto, porque a cidade é pequena).

Nós passamos o dia todo na cidade, a maior parte do tempo na praça em frente à Igreja de Pedra, esperando a bendita neve – e nada! Passamos muito frio e alternávamos nosso dia entre caminhadas curtas entre um chocolate quente, pulinhos frenéticos e idas ao carro para ligar o ar quente (sendo felizes por um curto período de tempo). Ahhh, pra quem gostou do casaco super lindo e quentinho que eu to usando em quase todas as fotos deste post, eu comprei na Renner, mas provavelmente não deve ter mais por aí (eu procurei no site deles pra deixar o link pra vocês e não encontrei). 🙁

Quando o relógio marcou 6h da tarde alguns tímidos flocos de neve começaram a cair e logo pararam. Todo mundo estava super decepcionado, afinal já estava escuro e parecia que a neve não viria.

Gelo acumulado no capô do carro

Trinta minutos depois havíamos perdido as esperanças e estávamos cansados de passar frio. Foi quando decidimos que iríamos para a pousada que tínhamos reservado em Urubici (que fica a cerca de 1h de São Joaquim).

Só não contávamos com duas coisas: 1) a neve começaria logo quando nos aproximávamos da entrada de Urubici, o que nos fez parar o carro para colher o máximo de floquinhos do chão e do capô do carro para sermos jecas porém felizes como todo turista que vê a neve pela primeira vez. 2) depois do evento a pista estaria completamente congelada em vários pontos de curvas e subidas.

Chuva congelada no vidro do carro 🙂

Depois de toda a alegria com os cinco flocos de neve que caíram continuamos rumo à Urubici. O problema é que estava muito frio e toda a água da chuva e o gelo da neve congelaram a pista, e estava quase impossível de dirigir. Carros batidos, empacados por “patinarem” no gelo sem a mínima condição de seguir adiante. Isso nos rendeu 3h de viagem num trecho que se leva 1h! Gente, pausa para uma dica: se for pra serra esperando ver neve, levem sal com vocês, é o que vai te salvar se seu carro não conseguir subir. O sal vai ajudar a derreter o gelo e permitir que o carro consiga ir em frente.

Mas sabe o que foi melhor? Depois de tudo isso chegamos na Casa do Guardião, uma pousada que no topo da minha lista de melhores pousadas! Gente, pensa num lugar que me senti em casa?! Quando chegamos super cansados e tensos da viagem (e mortos de fome), os donos estavam lá para nos recepcionar. Sabe o que fizeram? Nos trouxeram queijo, salame, paçoca de pinhão (uma delícia) e pinhão cozido (pra quem nunca esteve na serra, o pinhão é o prato mais típico dos típicos lá, junto com a truta!).

Depois nos serviram uma cerveja super deliciosa e até se ofereceram para nos buscar comida em um restaurante no centro. Era tudo o que nossos ouvidos cansados precisavam ouvir. Sentamos numa das mesas, no quentinho, e comemos tudo que nos foi oferecido para tomar um banho e deitar depois de um dia super cansativo (as fotos abaixo mostram um pouquinho de como é lá).

Recepção da Casa do Guardião, com lareira, sofás confortáveis e uma janela linda <3

Nos dias seguintes o tempo estava limpo, o sol brilhando, e o frio persistia. Nas madrugadas que ficamos por lá a temperatura atingiu -6 graus. Ainda bem que a área comum da pousada tinha uma lareira e o quarto tinha aquecedor, assim não morremos congelados!

Vista da Casa do Guardião para a cidade de Urubici

Então no primeiro dia “pós neve” decidimos visitar os lugares que não conhecíamos e também pegar autorização para ir até o Morro da Igreja (que é aquele de onde você vê a Pedra Furada).

Depois disso, fomos até a cachoeira do Avencal. Depois de vermos a cascata e caminharmos em meio às araucárias, decidimos almoçar. Encontramos um restaurante em Urubici mesmo e comemos mais pinhão.

Cascata do Avencal vista de cima
Araucárias no Parque que dá acesso à Cascata do Avencal
Lago no parque que dá acesso à Cascata do Avencal

Após o almoço não sabíamos o que fazer à tarde, então fomos à pousada, sentamos nos sofás e aproveitamos a vista. Um dos donos da Casa do Guardião nos indicou a visita à Vinicola Villa Francioni. Percebemos que tínhamos exatamente uma hora para chegar a tempo da última visitação – e conseguimos. O lugar é incrível, vale muito a pena a visita.

Quando até o banheiro do lugar é lindo! <3

Toda a vinícola é cheia de arte, de vitrais incríveis, e a visita guiada é demais. No fim, nós fomos até o restaurante deles, que tem janelões amplos e lindos, com vista para as plantações de uvas. O por do sol de lá é incrível!

Foi então que voltamos para Urubici e encontramos uma paisagem incrível no momento que os últimos raios de sol estavam indo embora (esta das fotos abaixo). Estava lindo demais, não estava?

No dia seguinte era hora de vir embora, mas ainda passamos no Morro da Igreja, almoçamos e seguimos em direção ao lugar que eu mais queria conhecer, o Canion da Ronda, que fica perto do mirante para a Serra do Rio do Rastro, já em Bom Jardim da Serra. Antes de chegar lá, paramos num lugar lindo no meio do caminho para esticar as pernas e aproveitar o lugar.

Vista do Morro da Igreja para a Pedra Furada
Estrada linda no caminho entre São Joaquim e Bom Jardim da Serra <3

Chegamos lá perto do por do sol. Logo na entrada uma pequena raposa nos deu boas vindas. Estacionamos o carro dentro do parque e caminhamos em meio às pastagens queimadas da geada. Os tons de amarelo queimado se misturavam tão lindamente com o azul do céu.

Consegue achar a raposa no meio da foto? <3

A paisagem era incrível! Aquelas pastagens sem fim, aquele penhasco, o por do sol. A viagem não poderia terminar de forma mais linda!

E aí, já visitou a serra catarinense? O que achou? Me conta nos comentários, vou adorar saber sua opinião! <3

Ah, e se você quiser guardar este post para ver depois, é só “pinar” a imagem abaixo em algum de seus painéis do Pinterest! Você também pode seguir meu painel sobre Viagens pelo Brasil por lá e ficar por dentro das minhas viagens e das dicas que vou salvando!

 

  • Andre Luiz Santos

    Maravilhoso!

  • Raynne Viana

    Adorei Laís. Já fui algumas vezes à Serra realmente a paisagem lá é incrível! E você arrasa demais na fotos, amoo! Amei também a dica da pousada, quero ir lá logo! Beijo.