Viagem aos Canyons de Santa Catarina e Rio Grande do Sul – Onde ficar, o que fazer, e outras dicas

Nós viajamos para os Canyons de Praia Grande e Cambará (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) em abril de 2016, por conta de nossa lua de mel. Nos casamos em abril de 2016 e tivemos apenas 3 dias de licença de nossos trabalhos, por isso precisamos escolher um local próximo para que pudéssemos aproveitar ao máximo nossa folga pós correria do casamento.

Santa Catarina tem muita praia bonita, mas, por estarmos em abril, não achávamos que o tempo estaria bom o suficiente para irmos para uma praia, então, escolhemos um lugar onde pudéssemos aproveitar o local onde ficaríamos independente da temperatura. Daí a escolha pelos Canyons em Santa Catarina. Após a lua de mel fomos até lá mais uma vez e nos apaixonamos de vez pelo local. Por isso, decidi compartilhar com vocês algumas dicas sobre os canyons! Onde ficar, o que fazer e mais algumas considerações. Vem ver!

Quando visitar os Canyons

Como falei anteriormente, nós fomos até lá em abril e o tempo estava ótimo, beeeem quente e gostoso. Mas, como se trata da serra, a temperatura pode ser meio imprevisível. Não sei como é a região quanto às chuvas, mas fora isso, acredito que é bom de visitar o ano todo. Na pousada que fomos, por exemplo, tínhamos piscina aquecida, que poderia ser aproveitado independente do clima lá fora. Além disso, a pousada contava com lareiras, ar condicionado, banheira de hidromassagem e passeios que podem ser feitos em todas as estações, portanto, acredito que toda época seja boa de ir para lá!

Onde se hospedar?

Não tínhamos dúvidas sobre onde ficar, há algum tempo já namorávamos a pousada Morada dos Canyons, mas não conseguimos ir antes. Por um milagre, conseguimos vaga com pouco tempo de antecedência (a última cabana disponível, era o destino ou o quê?). Apesar de ser a última cabana, não nos preocupamos por não podermos escolher porque sabíamos que todas elas são incríveis e super aconchegantes. A única diferença é o espaço e a vista (para os canyons ou jardim).

As cabanas incluem banheira de hidromassagem, telescópio (que não soubemos usar, hahaha), ar condicionado e lareira. O clima da pousada é ótimo, tem muita natureza, árvores, grama e um pequeno lago. Uma delícia! A única coisa que não dá para esquecer por lá é o repelente, já que todos esses fatores, juntos ao calor, acabaram atraindo muitos mosquitos.

Chalé 07 da Morada dos Canyons
Nossa “casinha” durante dois dias <3

Quarto da Morada dos Canyons

Além de ótimas acomodações a pousada oferece café da manhã e jantar em um restaurante incrível e com uma vista de tirar o fôlego, uma comida super saborosa e as deliciosas cervejas da região que não são encontradas em nenhum supermercado (a Grota Bier). Embaixo do restaurante tem uma piscina muuuuito gostosa, coberta e aquecida, de borda infinita, também com uma vista deslumbrante para os canyons. Não dá vontade de fazer mais nada a não ser apreciar a vista daquele lugar. Acima do restaurante também há um mirante maravilhoso. Pelas imagens abaixo dá pra ter uma ideia, né!? (Sorry pelas fotos de celular de novoooo, hahaha)

Vista do Restaurante da Morada dos Canyons

Piscina Morada dos Canyons

Vista do Mirante da Morada dos Canyons

É claro que existem outras opções tão boas quanto e com preços mais acessíveis. Vai depender de onde você quer ficar, das comodidades que quer ter e de quanto quer gastar. Como estávamos em lua de mel não nos preocupamos em gastar um pouquinho a mais para ficar num lugar incrível. Outras pousadas da região, com ótimas avaliações no booking (e que parecem realmente incríveis) e também com indicações dos locais são o Refúgio Ecológico Pedra Afiada, Parador Casa da Montanha, Pousada Bela Vista, Cambará Eco Hotel e Pousada Bolicho Guabiroba.

Como é o trajeto até a pousada Morada dos Canyons em Praia Grande Santa Catarina

Nós saímos de Tubarão, Santa Catarina, e fizemos a viagem até a pousada com tranquilidade, parando no caminho para comer e tomar café nos shoppings e atacados na beira da estrada (como o Pórtico). No caminho, passamos pelo centro da cidade de Praia Grande, que não é muito grande (na verdade é bem pequena) e tem pouca infra-estrutura. Aos domingos, por exemplo, não há quase nada aberto (incluindo restaurantes).

Parada no caminho para os Canyons de Santa Catarina no Pórtico Atacado Exposição de Carros antigos

Após passar pelo centro da cidade começamos a subida. Havíamos sido alertados sobre as dificuldades no caminho, mas eu não tinha nem ideia de como seria. O caminho até lá não é dos melhores. Muitos trechos de subidas e curvas não são asfaltados (devido à um problema com animais em extinção durante a obra de asfaltamento). Mas não é só isso, os trechos que não são asfaltados possuem muitas pedras (pedras do tipo praia, soltas e também outras maiores enterradas) o que é um problema se você andar muito rápido ou tem um carro muito baixo. No entanto, se você andar devagarzinho e desviando dos piores buracos e pedras, a subida é tranquila. Só não sei como o caminho fica quando chove, mas deve piorar. Abaixo, alguns dos bons momentos da estrada, hahaha.

Caminho para chegar nos Canyons em Santa Catarina

Caminho para chegar nos Canyons em Santa Catarina

Os passeios nos Canyons de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Chegamos à pousada um pouco antes do pôr do sol e encontramos um guia maravilhoso e super empolgado chamado Thales. Perguntamos à ele se era possível fazermos algo antes de o sol se pôr e o Thales super animado logo se ofereceu para nos levar a dois lugares para vermos o sol se pondo. É claro que a pousada oferece passeios e eles não estão inclusos na diária. Se você for com o seu carro, paga menos, se for com o transporte deles, um pouco mais.

Este é o Thales

Acima da pousada o trajeto é um pouco pior, então aceitamos ir com o transporte deles, uma Kombi. É óbvio que ele conseguiu andar bem mais rápido que nós, de Palio, no meio de tanta pedra solta, e foi uma loucura porque as estradas são ruins mesmo, e a Kombi pulava e sacodia o tempo todo, hahaha. Mas foi muito gostoso, o guia era super alto astral e fez a diferença no passeio.

Primeiro ele nos levou até um lugar com vista para o Canyon dos Índios Coroados, que é uma propriedade privada “aberta” à visitação. Estacionamos a Kombi próxima à uma casinha e passamos por uma cerca, seguindo um caminhozinho no meio da pastagem. Quando subimos um morrinho, lá estava aquela vista linda, indescritível. Só indo até lá para entender a grandeza e beleza daquele lugar.

Caminho para chegar ao Canyon Indios Coroados

Caminho para chegar ao Canyon Indios Coroados

Vista do Canyon Indios Coroados

Cachoeira vista do Canyon Indios Coroados

Vista do Canyon Indios Coroados


Depois, para ver o sol se pôr, fomos até o Morro dos Cabritos, que é um morro com pedras e mato e só dá para subir a pé. Mais uma vez deixamos a Kombi estacionada e subimos o morro a pé, usando as pedras como degraus. Se você tem algum problema nas pernas, talvez seja um pouco ruim de subir. Lá em cima, tivemos uma vista 360 do local, vimos de um lado o Rio do Boi e do outro a cidade de Praia Grande se acendendo aos poucos. A paz que se sente lá é inenarrável. É um silêncio diante daquela imensidão que parece que não existir mais ninguém no mundo. Paz define!!!

Vista para o Rio do Boi de cima do Morro dos Cabritos
Aquela linha mais clara na parte debaixo das montanhas é o Rio do Boi (desculpa a qualidade, a foto é de celular!)

No outro dia, tínhamos a opção de fazer a Trilha do Malacara ou um outro passeio em que iríamos até o Canyon Fortaleza para caminhar pela borda dos canyons. Resolvemos fazer a trilha do Malacara por ter uma duração mais curta e por ter a oportunidade de sermos recompensados com um banho nas piscinas naturais ao final da trilha. O passeio foi ótimo, por vezes caminhamos em meio à mata, outras em meio às pedras (às vezes um pouco altas) e em meio ao rio.

O repelente é indispensável pois há muitos mosquitos por lá e o protetor de canelas também é muito útil, em caso de encontrar alguma cobra no caminho (nós não encontramos, mas segundo a guia, é algo que pode acontecer, principalmente no verão). O hotel disponibiliza os protetores de canela para quem vai à trilha, o que nos deixou bem tranquilos.

Parte da trilha para as piscinas naturais do Canyon Malacara

Foi muito gostoso poder caminhar em meio à natureza, chegar ao final da trilha e poder tomar banho de cachoeira, numa água beeeeem geladinha. Chegamos tarde demais para o almoço do hotel e como não há muita opção de restaurante (lá pelos canyons tem pouquíssimos restaurantes, já que se trata de uma região relativamente intocada) acabamos comendo na lanchonete do hotel, que faz pastéis, misto quente e outros lanches muito gostosos. Valeu a pena!

Piscina Natural dos Canyons Malacara

Piscina Natural dos Canyons Malacara

Durante a trilha do Malacara acabamos conhecendo um casal que também estava na pousada e fomos convidados para um passeio a cavalo. A Morada dos Canyons oferece algumas opções de passeios a cavalo com durações curtas ou longas. Escolhemos fazer o passeio mais curto, já que nunca havíamos andado a cavalo. Passamos trabalho até descobrir como fazer os bichinhos nos entender (tipo eu tendo que levantar o galho de uma árvore para não dar de cara nela e o Matheus sendo “resgatado” porque o cavalo dele se enfiou no lugar onde eles comem e não queria mais sair), mas conseguimos chegar ao final do caminho.

Passeio a cavalo com a Pousada Morada dos Canyons
Foto do Matheus

Nós descemos pela mesma estrada que subimos de carro para chegar até a pousada, ou seja, passam alguns carros às vezes (muito raramente), e o trajeto encerra numa fazenda linda com uma vista maravilhosa. Vou dizer que eu não imaginava que iríamos para um lugar tão lindo, então nem levei a câmera. 🙁  Depois da “cavalgada”, o resto do dia foi para descansar e aproveitar a piscina, a vista, o jantar e a cerveja deliciosa.

Passeio a cavalo com a Pousada Morada dos Canyons
Foto do Matheus

Passeio a cavalo com a Pousada Morada dos Canyons

No último dia ficamos de preguiça, descansando, andando pela pousada e aproveitando as últimas horas por lá antes de ir embora. Acabamos decidindo visitar o Canyon de Itaimbezinho antes de partirmos rumo à nossa casa. O lugar também é muito bonito. Lá existem duas trilhas (uma mais longa, de cerca de uma hora e meia de duração, e outra curta, que pode ser feita em 30 minutos) com vistas de 70% e 30%, respectivamente, do Canyon Itaimbezinho. O Itaimbezinho é relativamente perto, mas demora um pouco para chegar até lá, devido à má qualidade da estrada. Em diversos momentos precisamos andar a 10 ou 20km/h. Mas eu vou dizer que compensa, viu?!

Parte do caminho de uma das trilhas para o Canyon Itaimbezinho

Cachoeira vista da trilha para o Canyon Itaimbezinho

Mirante no Canyon Itaimbezinho

Enfim, tanto faz, se for para ficar alguns dias aproveitando tudo que o lugar tem para oferecer ou fazer uma “bate e volta” para conhecer os principais pontos e voltar para a casa, vale a pena conhecer. Pra quem mora no sul de Santa Catarina é bem tranquilo e rápido de ir. Nós, por exemplo, levamos cerca de duas horas e meia. Mas caso você vá só para passar o dia é bom ir preparado: leve consigo lanches, repelente, protetor solar e qualquer outra coisa que você precise usar. Não vi nenhum tipo de loja ou supermercado no caminho (a não ser as de Praia Grande que estavam fechadas no domingo) e há poucos restaurantes.
Da última vez que fomos pra lá passamos o dia fotografando um casal e, para vocês terem ideia de como é complicado achar algo aberto por aos domingos, queríamos ter almoçado no restaurante A Casa do Sabor — onde é produzida a Grota Bier (cerveja artesanal e deliciosa da região), mas ele estava fechado em pleno domingo. Almoçamos num restaurante chamado Casa Nossa, que é um buffet livre e serve comida direto do fogão à lenha, com direito à macarrão handmade e um ambiente rústico super bonitinho. Comida da casa da vó, sabe? Como não conseguimos tomar a tradicional cerveja no restaurante em que ela é produzida, paramos na Morada dos Canyons para tomarmos as cervejas da Grota Bier que mais gostamos da outra vez: Açaí e Rapadura.
Enfim, se você gosta de natureza, de paz, e quer se desligar um pouco do mundo e se reconectar à você, é o lugar perfeito. A paz, as vistas, os lugares com poucos turistas, enfim. Eu achei que compensa ir pra lá sim, viu?! Tanto é que já voltamos pra lá e temos muita vontade de retornarmos. Independente de onde você se hospede, acho que é uma viagem gostosa demais e diferente. O turismo é o forte da região, mas ainda é um destino alternativo e com pouca infra-estrutura, portanto, não espere encontrar lojas ou muitos restaurantes. Vá para curtir a natureza e a calma do lugar e esqueça qualquer preocupação. <3

E aí, já foram até lá? Gostaram? Está planejando ir? Me conta, quero saber o que você achou!